Acrilico sobre tela - Ano 2001 - 116x90 cm
Pensar a guerra deverá ter sido, ao longo dos tempos, uma actividade praticamente constante, no que concerne à Humanidade. Para uns uma inevitabilidade inerente à conquista/manutenção do poder, para outros um fenómeno económico incontornável e, na lógica puramente militar, uma profissão cuja remuneração é mais aliciante quando se permanece em teatro de guerra.
A partir do último quartel do Século XX as politicas e estratégia militar foram significativamente alteradas. Os soldados não lutam corpo a corpo, o grande número de vitimas constitui-se como a população, indefesa, mas sempre com um apego infindável à vida.
Não se enumeram neste texto as guerras, os carrascos e as vitimas. Certamente, pelas intensidades e quantidade, seria um trabalho, para além de ciclópico e sempre incompleto, imensamente triste.
O que sugere com uma clareza é uma preponderância universal da masculinidade, - tal como define Hofstede -, na racionalização da guerra como forma de resolução de conflitos.
anA, por duas vezes, gozou, até ao mais intimo pormenor, a gestação e o parir. Quer no processo, quer no evento, nos amores e os prazeres da relação e do momento, sublimaram e marcaram indelevelmente a rejeição às violências e, por maioria de razão, àquelas perpetradas pelo Estado - o depositário único do assassínio legitimado.
O homem está num processo menos abrangente, humano mas não humanizante. Ama o seu filho e promove a Guerra para bem do seu filho - -o elemento de penetração de si no futuro. Ama o seu filho e provoca a morte do filho de outro homem. Chora a morte do seu filho mas exalta a morte do assassino do seu filho, que matou para não ser morto pelo filho do homem
Exausta, anA resolve “quase definitivamente” a questão em trabalhos “quase pragmáticos” no campo da lógica “quase matemática” «Se o homem engravidasse então o Homem masculino não guerreava», pinta.
Ernesto PodriguesMaio 2001anA marques, anApintura ana, gravidez masculina, gravidez ,afectos